História
Apesar de o Shiatsu ser uma terapia japonesa, as suas origens remontam há milhares de anos atrás, nas montanhas do norte da China. Era lá que os sacerdotes Taoístas praticavam o “Do-In”, uma forma de manipulação corporal e de meditação que harmonizava a força vital. Com o tempo, desta técnica derivaram outras disciplinas e diversas formas de artes marciais como: a Acupunctura, a massagem Anma (an – apertar; ma – esfregar), a Moxibustão, o Tai-Chi.
Monges japoneses, que estudavam o Budismo na China, observaram estes métodos curativos e levaram-nos para o Japão (Séc. VI). Ao longo do tempo foram sendo acrescentados pontos de vista próprios e a medicina foi adquirindo uma identidade definida.
No Séc. XIX a ciência médica ocidental entrou no Japão, tornando-se dominante sobretudo pelos métodos cirúrgicos e pela sua eficácia no combate a epidemias. No entanto, já no Séc. XX as limitações das técnicas ocidentais se tornavam evidentes, enquanto a corrente médica oriental ia ganhando popularidade. Assim, o governo decidiu legalizar esta última.
A primeira referência que temos do Shiatsu é o mestre Tamai Tempaku, que combinou conhecimentos tradicionais de Anma, Ampuku e Do-In com conhecimentos de anatomia e fisiologia ocidentais. Após a 2ª Guerra Mundial surge outro grande contributo através do mestre Tokujiru Namikoshi, que fundou a Escola Japonesa de Shiatsu, em Tóquio.
Entre 1955 e 1964 o Shiatsu ganhou o estatuto de terapia oficial tendo sido incorporado como prática do Sistema de Saúde japonês. A partir de 1970 esta técnica começou a ser amplamente divulgada nos E.U.A. e Europa.
O que é o Shiatsu?
Shiatsu significa pressão (atsu) com o dedo (shi) e constitui-se como uma terapia de reequilíbrio físico e energético. O Ministério da Saúde japonês dá-nos a seguinte definição:
A terapia conhecida por Shiatsu é uma forma de manipulação administrada pelos polegares, dedos e palmas, sem o uso de qualquer instrumento mecânico ou de outro tipo, para aplicar pressão à pele humana, corrigir disfunções internas, promover e manter a saúde, e tratar doenças específicas.
O Shiatsu é de facto utilizado por profissionais de saúde para curar doenças, normalmente em combinação com estiramentos e outras terapias, como por exemplo o Seitai, a Reflexologia e a Acupunctura.
Ao elevar o nível de energia do receptor, esta terapia regula e fortalece o funcionamento dos órgãos e estimula a resistência natural do corpo às doenças. Quando tocamos uma área onde a energia está bloqueada ajudamos o bloqueio a dissolver-se. Este trabalho de normalização do fluxo energético traz ao paciente uma sensação de equilíbrio interno, de leveza e bem-estar, de integração consigo mesmo e com o agente da técnica.
O melhor Shiatsu é simples e, nessa simplicidade ele é maravilhoso. A questão no Shiatsu não é acreditar, mas experimentar. O Shiatsu só é mistificado por aqueles que não o conhecem. Quem experimenta e sente, compreende. É importante desenvolver o seu conhecimento através da vivência, é sentindo o fluxo de energia no nosso corpo e no de outras pessoas que passamos a compreendê-lo.
Meridianos e Pontos
A matéria é energia. A ciência chegou a essa conclusão quando conseguiu dividir o átomo e constatou que ele é formado por partículas com carga eléctrica positiva, negativa e neutra. Há milénios desenvolveu-se no Oriente um sistema relacionado com a energia vital dos seres vivos, a energia “KI”.
Esta energia KI flui pelo corpo de uma forma regular, originando canais de fluxo designados por meridianos. Cada meridiano está relacionado com determinadas funções orgânicas, características psicológicas e emocionais. Assim, a maior parte destes tem o nome do órgão que ocupa lugar de destaque dentro das funções a ele ligadas.
Ao longo dos meridianos existem pontos que condensam a energia, os “tsubos”, cuja tradução é “abertura”/”buraco”. Do ponto de vista científico, eles são pontos com baixa resistência à electricidade, ou seja, são bons condutores eléctricos.
A localização dos meridianos e pontos é determinada pela natureza. O Homem descobriu-os de forma empírica e, mais tarde, confirmou-o através de pesquisas científicas modernas.
Efeitos do Shiatsu no Organismo
A medicina ocidental não fortalece a capacidade natural de recuperação do organismo. Ela inibe o potencial reactivo do próprio corpo ao utilizar drogas que agem sobre o metabolismo do paciente.
A medicina oriental tem, assim, recursos para tratar pessoas “meio doentes” que não apresentam um quadro sintomático definido, mas que também não se sentem bem dispostas, saudáveis. Enquanto a medicina ocidental trata a doença, a medicina oriental trata o doente.
O Shiatsu regula os desequilíbrios do corpo dos pés à cabeça, conseguindo que as articulações recuperem os seus movimentos naturalmente. Ele induz o paciente a realizar uma respiração abdominal calma e profunda, equilibrando o sistema nervoso autónomo. Ao receber Shiatsu todo o corpo respira.
O sangue percorre o organismo de um extremo ao outro melhorando a circulação, o movimento das articulações, o equilíbrio do corpo e a postura. O Shiatsu tem um importante papel de reequilíbrio ao corrigir as alterações corporais produzidas pela repetição diária de certos movimentos e exercícios.
O Shiatsu ajuda, acima de tudo, a atingir a máxima capacidade de autocura que qualquer ser humano possui. Os animais, quando adoecem, não comem nem bebem, só descansam, para que o corpo possa curar-se por si mesmo.
O instinto é que lhes possibilita actuar desta maneira, só o ser humano não descansa quando está doente. Se a nossa medida de saúde desce a uns 50%, sentiremos dor ou qualquer sintoma de doença, o ideal seria descansar e receber Shiatsu para recuperar o nosso nível de saúde habitual.